Você não precisa guardar seus raios-x para sempre, mas é necessário descartá-los corretamente.


Desde 1895 a radiografia vem ajudando a medicina a identificar traumas e lesões em pacientes, foram séculos de evoluções e descobertas importantes para a população mundial.


Porém, para onde vão todas essas chapas utilizadas na impressão dos raios-x? Certamente para uma pilha de arquivos, comumente guardadas por muito tempo ou descartadas despreocupadamente no lixo. 


Há uma importância extrema no cuidado ao descartar esse tipo de material, devido aos materiais utilizados nas radiografias. São chapas de um plástico chamado acetato, elas são cobertas por uma fina camada de grãos de prata, sensíveis à luz. 


Essas matérias-primas são altamente poluentes, pois causam danos ao meio ambiente e a saúde dos seres humanos.


Acompanhe nosso artigo até o fim e aprenda como dar um fim sustentável aos seus raios-x empilhados em casa. 


Compreendendo o raio-x


A radiografia começou a ser descoberta no século XIX, quando Wilhelm Conrad Röntgen focou seus estudos na piezoeletricidade, absorção e calor específico de gases, e também na ação capilar de fluidos.


Se você não é da área de física ou química, muito possivelmente não está por dentro dessas nomenclaturas. Mas fica tranquilo(a) que vamos te explicar.


Inesperavelmente, esses estudos levaram à descoberta de raios invisíveis capazes de passar por várias substâncias, deixando sombras que poderiam ser registradas em chapas fotográficas.


A partir daí, Röntgen os rotulou como “raios-X”, devido sua origem desconhecida. A descoberta revolucionou a medicina, por isso, ele recebeu seu primeiro Nobel de Física, em 1901.




Componentes e materiais presentes em uma radiografia


Tanto os raios-x, quanto as tomografias e ressonâncias viram chapas radiológicas, todas elas utilizam os mesmos materiais químicos na sua impressão.


Como enfatizamos na introdução, a base da chapa é feita de um plástico chamado acetato, mas existem vários elementos tóxicos agregados, ou seja, na finalização do exame. São eles:


  • Prata;

  • Metanol;

  • Amônia;

  • Cromo;

  • Brometo;

  • E outros solventes orgânicos.


Esses são apenas os componentes presentes na chapa, entretanto, a revelação também é cercada por alguns perigos.


Para ser possível visualizar a imagem, ela precisa ser revelada no plástico de acetato, a partir de uma película de grãos de prata com a hidroquinona, um elemento revelador.


Em seguida, a película recebe um banho de carbonato de sódio e de bissulfito de sódio, para evitar a decomposição da hidroquinona.


Segundo Álvares LC, professor especializado em radiologia odontológica, é utilizada uma solução fixadora de tiossulfato de amônio e sulfato de sódio ou EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético), para evitar que a imagem não se desfaça rapidamente, dessa forma o excesso de prata é removido para não reagir de forma comprometedora com a presença de luz.


Ficou surpreso com a quantidade de materiais químicos presentes num “simples” exame? 


Agora você vai entender como esses materiais reagem no meio ambiente com o descarte incorreto. 


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Entenda quais os riscos do descarte incorreto


Todo descarte incorreto, acarreta danos a algo ou alguém, no caso, as chapas de raios-x, podem trazer consequências negativas.


Os raios-x liberam uma radiação ionizante, que podem causar danos aos tecidos vivos e ao meio ambiente. Veja abaixo, alguns impactos que podem suceder:


  • Poluição ambiental: a prata contida nos filmes de raio-x, é um dos componentes químicos mais tóxicos, pois é um metal pesado.


Se essas chapas forem descartadas em aterros sanitários ou corpos d'água, podem ocorrer vazamentos ou lixiviação, levando à contaminação do solo e da água.


Isso pode afetar negativamente a fauna e a flora, bem como os ecossistemas locais.


  • Contaminação da água potável: Todos os produtos químicos presentes nas chapas de raios-x (citados no tópico anterior), podem se infiltrar no solo e, possivelmente, chegar aos lençóis freáticos e fontes de água potável.


A ingestão da água contaminada pode representar muitos riscos à saúde humana, causando problemas renais, neurológicos e outros efeitos adversos.


  • Exposição à radiação: as radiografias descartadas incorretamente, podem ser acessadas e manuseadas por pessoas desinformadas ou não autorizadas, expondo-as desnecessariamente à radiação ionizante.


A exposição excessiva de radiação também pode causar danos aos tecidos, aumentando o risco de câncer e outras doenças.


  • Desperdício de recursos: as chapas de raios-x contêm prata, que é um recurso muito valioso. Quando descartados incorretamente, esses filmes não conseguem passar pelo processo de logística reversa, resultando no desperdício de recursos naturais.


Viu como é importante seguir as regulamentações e descartar seus raios-x corretamente? Aprenda mais no próximo tópico.




Passo a passo para o descarte seguro de raio-x


O descarte de radiografias em lixo comum é proibido! A forma segura de descartá-los, pode variar conforme a localização e as regulamentações específicas da sua região. No entanto, existe uma orientação geral sobre como realizar o descarte adequado.


  1. Entre em contato com o hospital ou centro médico onde os raios-x foram realizados. Eles habitualmente têm protocolos bem estabelecidos para o descarte seguro de radiografias e filmes de raio-x;


  1. É importante sempre embalar os filmes de raio-x de forma segura. Eles precisam ser colocados em sacos plásticos resistentes ou envelopes opacos para evitar a exposição à luz.


Atenção: Certifique de remover qualquer identificação pessoais ou informações confidenciais dos seus filmes antes do descarte.


  1. Pesquise se existem programas de reciclagem de filmes de raio-x disponíveis em sua cidade. Alguns hospitais e clínicas possuem parcerias com empresas especializadas na recuperação da prata e outros metais pesados existentes nas chapas de raios-x.


  1. Chame a Urbam! Estamos há 20 anos gerenciando resíduos, levamos a sério a missão de responsabilidade ambiental. Seja para sua empresa ou residência, seus raios-x serão recolhidos e descartados de forma segura e adequada.




Fonte: Caminhões compactadores do Grupo Urbam / Arquivo Grupo Urbam


Chapa de raio-x é reciclável!


Muitos não sabem, mas as chapas de acetato utilizadas no raio-x são recicláveis e valiosas. Após o descarte correto, as chapas são levadas para um centro de reciclagem de resíduos reconhecido.


Acompanhe o processo de reciclagem:


  • Primeiro, as chapas de raios-x são avaliadas e o revestimento externo é removido, como já citamos, ele é feito de plástico acetato e alguns materiais químicos como a prata, que são separados para a reciclagem;


  • Depois inicia-se o processo de trituração, as placas de raios-x são então trituradas em pequenos pedaços, resultando em fragmentos de plástico e poliéster;


  • Os fragmentos de poliéster e plástico são submetidos a um processo de separação física. Geralmente, isso é feito usando técnicas como lavagem, flutuação em água ou separação por gravidade para separar o poliéster dos demais componentes.


O poliéster recuperado é limpo, seco e poderá ser usado na fabricação de novos produtos plásticos.


  • Para recuperar a prata contida nas chapas, o material é submetido a um processo químico, que envolve a aplicação de hidróxido de sódio em água, aquecido durante 15 minutos, obtendo-se o óxido de prata misturado a impurezas.


A prata é então recuperada e refinada para ser reutilizada em outras indústrias, como joalheria, eletrônicos ou até fotografia.


4 curiosidades sobre a radiografia


  1. Para apagar corretamente dados pessoais de uma radiografia é necessário utilizar um marcador permanente para cobrir as informações confidenciais ou triturar o plástico de acetato, antes do descarte;


  1. Segundo as Resoluções do CFM (Conselho Federal de Medicina) n°. 1.638/02 e 1.821/07 e o Parecer CFM n° 4.728/08, os exames radiológicos impressos que não forem retirados pelos pacientes, devem ser armazenados pelo prazo de no mínimo de 20 anos nos hospitais e clínicas.


Se o arquivo for digital, então o exame deve ficar arquivado de forma permanente.


  1. O brasileiro Manoel Dias de Abreu, desenvolveu o exame chamado abreugrafia (raio-x dos pulmões), que revolucionou o tratamento da tuberculose em 1939.


  1. A radiografia digital já é opção em várias unidades de saúde, pois o arquivo gerado pode ser enviado diretamente para os radiologistas ou compartilhado com o paciente, o que é muito mais sustentável.


Armazene, descarte e recicle!


Como você pôde conferir neste artigo, a radiografia pode esclarecer, por imagem, várias doenças, por isso vem auxiliando a medicina há séculos. Porém, a placa de acetato mais a prata (metal pesado) utilizada para a impressão do exame, é prejudicial à saúde dos seres humanos e ao meio ambiente.


Desta forma, é necessário ter muito cuidado desde o armazenamento ao descarte desses exames.


Elas devem ser guardadas em sacos plásticos ou envelopes de papel, em temperatura ambiente, sem exposição solar (o calor ajuda na formação de vapores perigosos à saúde a partir dos químicos presentes na chapa de raio-x) e longe da umidade.


Após o período de utilidade dos exames, o descarte deverá ser feito de forma segura e correta, para que o material seja levado para a logística reversa.


E então, está pronto para contribuir com um planeta mais saudável e limpo? Vem com a Urbam!


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