Conheça as melhores práticas para minimizar riscos, reduzir acidentes e otimizar o descarte de perfurocortantes
Descartar os resíduos corretamente é um dever de todos, e quando eles são hospitalares a preocupação precisa ser maior, afinal, esses materiais têm um alto grau de risco de contaminação.
Os hospitais e unidades de saúde utilizam diariamente centenas de agulhas, seringas, bisturis, cateteres e muitos outros materiais contaminados. Diante disso, o descarte deve ser feito com muita atenção e cuidado.
Segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública), em 2022, 4.518 municípios do país comunicaram à Anvisa que realizaram a coleta e o tratamento de mais de 256 mil toneladas de resíduos hospitalares.
No entanto, um dado preocupante é que as outras 1.052 cidades não apresentaram declarações sobre como gerenciam seus resíduos hospitalares.
Leia nosso artigo até o fim e entenda a importância de manusear e descartar corretamente os resíduos perfurocortantes dos hospitais. Vamos lá?
Resíduo hospitalar é o mesmo que resíduo perfurocortante?
Todo e qualquer material hospitalar descartado por uso, é considerado resíduo de risco, visto que ele pode estar contaminado por sangue, fluidos corporais ou outros materiais infecciosos.
No entanto, nem todo resíduo hospitalar é perfurocortante, segundo a Resolução da Diretoria Colegiada, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - RDC Nº 306. São materiais perfurocortantes todos os objetos e instrumentos que contém cantos, bordas, pontos ou protuberâncias rígidas e agudas capazes de cortar ou perfurar.
Eles são considerados resíduos do grupo “E”. Veja quais são:
Lâminas de barbear
Agulhas
Escalpes
Ampolas de vidro
Brocas
Limas endodônticas
Pontas diamantadas
Lâminas de bisturi
Lancetas
Tubos capilares
Micropipetas
Lâminas e lamínulas
Espátulas
E todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório
Os outros materiais hospitalares, como gazes, luvas, gessos ou papéis e plásticos utilizados internamente, são considerados do Grupo D (Resíduos comuns).
Em todos os casos, os resíduos devem ser descartados da maneira correta, segura e sustentável. Nos próximos tópicos aprenda como descartá-los.
Garantindo a proteção para uma coleta segura
Como informamos no tópico anterior, existem diferenças entre as classes de resíduos hospitalares, portanto, eles devem ser descartados separadamente no mesmo local da sua utilização.
É necessária uma urgência no descarte desses materiais em um recipiente adequado, que seja resistente a vazamentos e rupturas.
A caixa de perfurocortante é firme e apropriada para receber esse tipo de resíduo, ela é resistente ao processo de esterilização, com tampa, sendo identificada com o símbolo internacional de risco biológico, contendo a inscrição de “PERFUROCORTANTE”.
Os recipientes coletores têm capacidade que varia de 3 a 13 litros, são confeccionados em material resistente chamado de papelão couro, e desenvolvidos especificamente para utilização em serviços de saúde.
Atenção: o material deve ser descartado de forma responsável, sem necessidade de esvaziamento ou encapamento das agulhas.
O que diz a Lei?
A Lei nº 1.748, de 30 de agosto de 2011, institui a obrigatoriedade de implementação do Plano de Prevenção de Riscos de Acidentes com Materiais Perfurocortantes, ela foi construída pela Portaria, a qual altera a redação da NR 32, através do Ministro do Trabalho e Emprego.
A Resolução CONAMA nº 358, de 29 de abril de 2005, considera a prevenção como uma correção na fonte da utilização dos materiais. Ela está integrada a vários órgãos envolvidos para fins do licenciamento e da fiscalização.
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De acordo com os dados publicados no protocolo de exposição a materiais biológicos do Ministério Público, observa-se uma semelhança nos registros de acidentes ocupacionais envolvendo esses materiais tanto no Brasil quanto em outros países.
Outro dado preocupante está associado a taxa de abandono do tratamento de profissionais envolvidos nesses acidentes. O Hospital Público de Ensino de São Paulo, apresentou uma taxa de abandono de 45% em 326 acidentes notificados.
Em 2004, a Anvisa criou 9 etapas que orientam os profissionais na realização do manejo desses materiais:
Segregação - É a separação correta dos resíduos desde o momento e local de sua geração;
Acondicionamento - É o descarte nas caixas apropriadas para perfurocortantes;
Identificação - Esta etapa é a de reconhecimento dos resíduos contidos nos recipientes, fornecendo informações ao correto manejo dos RSS (Resíduos de Serviços de Saúde);
Transporte Interno - O translado dos resíduos dos pontos de geração até local destinado ao armazenamento temporário ou armazenamento externo para a apresentação para a coleta.
Armazenamento Temporário - É a guarda temporária dos recipientes contendo os resíduos já acondicionados, em local próximo aos pontos de geração, para agilizar a coleta.
Tratamento - É a descontaminação prévia dos resíduos, a fim de modificar as características químicas, físicas ou biológicas dos resíduos e neutralizar os agentes nocivos à saúde humana e ambiental.*
Armazenamento Externo - É a guarda dos recipientes de resíduos em ambiente facilitado para o aguardo da coleta externa.
Coleta e Transporte Externos - É feita por uma empresa licenciada para a remoção dos RSS do abrigo de resíduos até as unidades de tratamento ou disposição final.
Disposição Final - É o despejo de resíduos no local preparado para recebê-los, obedecendo ao licenciamento ambiental conforme a Resolução CONAMA nº.237/97.
* Os processos de tratamento são instituídos pela Resolução CONAMA nº. 237/1997 e Resolução CONAMA nº. 316/2002.
Impactos ao meio ambiente e a saúde humana
Um estudo realizado pelo Hospital Albert Einstein, mostra que o risco ambiental oferecido pelo resíduo hospitalar é representado pelo chamado resíduo infectante.
Esses infectantes também são compostos pelos perfurocortantes, que oferecem riscos a saúde humana, principalmente para os coletores e catadores que fazem o contato físico com esses materiais.
Os resíduos hospitalares contêm agentes biológicos como sangue, secreções e excreções humanas, tecidos ou partes de órgãos, que contaminam o solo quando descartados incorretamente.
Foto: Internet
O compromisso de um futuro seguro e sustentável
Neste artigo, podemos concluir que o ecossistema hospitalar está inteiramente ligado ao mundo externo. Os resíduos utilizados numa unidade de saúde não têm fim ao serem descartados.
É importante que todas as unidades de saúde, hospitais e clínicas, tenham a consciência do descarte e manejo correto, seguindo todas as regras estipuladas pela lei.
Portanto, não deixe de considerar todas as informações deste artigo no momento em que for realizar o seu descarte.
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